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23/06/2006

Dicionário de Instrumentos Musicais

A
Acordeão: aerofone de palheta dotado de fole e teclas. Foi criado no século XIX, com o contributo de diversos fabricantes. Pela acção dos braços e das mãos do accão do acordeonista, o ar faz vibrar as lâminas metálicas das palhetas. É muito utilizado em França, Portugal e outros países da Europa, nas festas populares e momentos de convívio. Nos Estados Unidos surgiu a fomosa marca Excelsior, e na Alemanha a Hohner.

Adufe: instrumento de percussão de membrana dupla, em formato quadrangular, resultado da influência árabe (duff). É tradicional de Monsanto e da Beira Baixa, onde é tocado exclusivamente por mulheres. Na região de Trás-os-Montes, o adufe tem a designação de pandeiro. É utilizado também no Brasil, certamente por influência de portugueses.

Afuche: idiofone tradicional do Brasil, de origem africana, constituído por uma cabaça rodeada por bolinhas (que podem ser de materiais diversos), ligadas por uma espécie de rede. Quando o executante as raspa contra a superfície da cabaça, produz o seu som característico. O afuche moderno tem uma configuração e materiais diferentes da tradicional tornando-se mesmo mais resistente do que as cabaças naturais.

Agogo: Idiofone tradicional de ferro, entrou no Brasil por via africana. É constituído por duas campânulas de ferro, percutidas por uma vareta do mesmo metal. O agogo de metal é utilizado nas danças de origem africana e similares (capoeira, e candomblé, por exemplo).

Agogo de madeira: idiofone de madeira constituído por dois blocos de madeira de diferentes tamanhos, usado na música tradicional do Brasil e na Educação Musical.

Amarantina (viola): cordofone dedilhado muito utilizado para acompanhar o repertório minhoto, fornecendo-lhe um suporte harmónico. O bom executante pode acrescentar aos acordes pequenos motivos melódicos.

Arghul: aerofone de palheta simples constituído por dois tubos muito frequente no Norte de África.

Aulos: aerofone de palheta (à semelhança do oboé), era instrumento mais popular na Grécia antiga. Há 3500 anos, já os egípcios o usavam.


B

Bala: xilofone da África ocidental

Balafon: xilofone artesanal (constituído por placas de madeira ordenadas, de diversos tamanhos) e com cabaças de ressonância por baixo, tem diversos nomes conforme a região e o país africano: bala, balo, kponimbo, madimba, kundu, marimba, valimba, endara, shijimba, silimba, medzang, dyomoro, rongo, mbira mutondo, mbila, timbila, balangui, akadinda, kalanba, ilimba, baza, dimba, madimba, dipela, elong, dzil.

Balalaica: cordofone de corpo triangular achatado, de madeira, com 3 cordas simples ou duplas dedilhadas. É um instrumento fundamental no folclore russo, onde há mesmo orquestras só de balalaicas.

Bandolim: cordofone dedilhado de 4 cordas duplas de metal de origem napolitana e muito usado na Itália e com tradições próprias em Milão, Génova e Sicília. Algo semelhante à guitarra no braço, cravelhas e trastos, o bandolim é tocado com um plectro que belisca as cordas.

Bandoneon: aerofone cromático de palhetas livres, inventado no século XIX e muito semelhante ao acordeão, é verdadeiro símbolo do tango argentino.

Bandurra: Cordofone dedilhado, a bandurra, hoja rara, é também conhecida por viola beiroa. Utilizava-se esta viola popular portuguesa (que era muito frequente no distrito de Castelo Branco), nas tabernas, e em momentos festivos como os casamentos, nas serenatas aos noivos, nas vésperas e na noite da boda.

Banjo: cordofone dedilhado, com caixa redonda e braço comprido, foi criado por afro-americanos e é típico da música "country" norteamericana. O número de cordas é variado. Pete Seger ficou conhecido também como executante de banjo.

Bateria: conjunto de instrumentos de percussão, tambores e címbalos, com diferentes tamanhos e timbres, dispostos de modo a serem tocados por um só músico. É especialmente utilizado no Jazz e Rock.

Bazuki: instrumento de oito cordas originário da Grécia, com caixa de ressonância semelhante à do bandolim, por vez ricamente ornamentada. Tanto o bazuki grego como o irlandês têm um braço bastante comprido.

Beiroa (viola): cordofone ornamentado e muito arredondado, um dos tipos de viola portuguesa, característico da Beira Baixa. Além das cinco ordens de cordas, possui duas mais agudas, presas a um cravelhal suplementar junto da caixa de ressonância.

Bendir: membranofone com origem no Norte de África, designadamente em Marrocos. É uma espécie de tamborim, com cordas esticadas no interior, junto à pele.

Berimbau: instrumento de percussão em forma de arco retesado por um arame e uma pequena cabaça de ressonância, levado de África para o Brasil, onde é muito utilizado na "capoeira", que representa de modo especial. A corda percute-se com uma pequena vara.

Bhaya: tambor indiano que, com a daina, constitui a tabla.

Biwa: cordofone japonês algo semelhante ao alaúde.

Bombo: instrumento de percussão grande constituído por duas membranas, uma de cada lado da caixa. Geralmente é tocado na posição vertical. É um dos instrumentos utilizados no programa das festas populares de Portugal.

Bongó: instrumento de percussão de origem afrocubana, de sonoridade profunda, constituído por dois tambores ligados, tocados entre os joelhos, é parte integrante da música latinoamericana, designadamente a solo.

Braguesa (viola): cordofone dedilhado, muito popular no Noroeste Português, especialmente nas rusgas, chulas e cantares ao desafio.

Braguinha (viola madeirense): também chamada "machête", a braguinha é um cordofone dedilhado com 4 cordas de tripa, sendo utilizada pelos camponeses madeirenses para acompanhar o canto e a dança.

C
Cabaça: instrumento de percussão semelhante ao afuche brasileiro. A "cabaza" orquestral moderna tem uma configuração e materiais diferentes da tradicional.

Caixa: instrumento de percussão que se encontra em vários estilos musicais, na música popular, no jazz e na música clássica. É um tambor cilíndrico de membrana dupla.

Campaniça (viola alentejana): cordofone dedilhado que outrora existia um pouco por todo o Baixo Alentejo e quase desapareceu do universo da música tradicional portuguesa.

Castanholas: idiofone de madeira, (com formato algo semelhante às castanhas), de plástico ou outro material, composto de duas partes côncavas que batem uma na outra. Há também castanholas com cabo. É muito frequente na música tradicional espanhola.

Caxixi: Instrumento tradicional brasileiro usado na "capoeira", é constituído por um cesto de vime em forma de chocalho encerrado no fundo uma cabaça que contém sementes.

Cavaquinho: cordofone muito popular, de pequenas dimensões, utilizado no acompanhamento do repertório tradicional português, designadamente no Minho e Douro Litoral.

Cegarrega: instrumento popular de madeira constituído por uma roda de transmissão accionada por uma manivela com um cabo.

Celesta: instrumento de percussão exteriormente semelhante a um piano vertical, foi inventado em 1886 por Mustel. Tchaikosky introduziu-o na orquestra.

Charango: cordofone dedilhado tipicamente sul-americano, o charango tem origem na guitarra espanhola.

Ch'in: espécie de cítara chinesa de 7 cordas, agrupado entre os instrumentos de seda, utilizado para acompanhar a meditação.

Ch'ing: idiofone de pedra chinês constituído pedras de diferentes tamanhos que produzem sons de alturas diferentes.

Chicote: instrumento tradicional de percussão, conntituído por duas pequenas tábuas de madeira que batem uma contra a outra, lembrando a sua sonoridade o estalar de um chicote.

Chincalho: idiofone que se apresenta em formatos bastante variados, constituído basicamente por chapas metálicas que batem entre si quando o executante movimenta o instrumento.

Chiquitzi: palavra shangana (Moçambique) que designa um chocalho de mão constituído por uma caixa feita de caniço fino e sementes ou pequenas pedras no interior. Trata-se de um instrumento essencialmente tocado por mulheres e em festas de casamento.

Chocalho: campaínha colocada pelos pastores ao pescoço das ovelhas, cabras ou vacas. Não sendo propriamente um instrumento musical, o chocalho de vaca já teve utilização em obras orquestrais (Sinfonia dos Alpes, de Richard Strauss, e Sinfonias nº 6 e nº 7 de Gustav Mahler).

Chu: tambor rectangular chinês.

Cítara: cordofone dedilhado, a cítara é um instrumento histórico com sonoridade aparentada à harpa. Há formas e nomes diferentes em vários países da Europa, nos países mediterrêneos e na Alemanha onde conheceu os nomes de "gittern", "zitter", "cytherne" e "cittharne".

Clarim: aerofone de metal que existe nas grandes orquestras e têm uma sonoridade muito pura e brilhante, embora não seja ttão fácil de tocar como o cornetim em si bemol.

Clarinete: aerofone de madeira de palheta simples constitui, com o fagote, os fundamentos do grupo das madeiras na orquestra. Benny Goodman e Alan Hacker são nomes incontornáveis entre clarinetistas.

Clavas: também chamadas "pausinhos", são idiofone de madeira, existentes em Portugal, Brasil e muitos países, com nomes, materiais e timbres diferentes. Os índios do Brasil decoravam as clavas com gravação a fogo.

Clavicórdio: instrumento predecessor do piano, é o mais antigo cordofone de tecla. Nos séculos XVII-XVIII, é o instrumento doméstico ideal para praticar ou tocar a solo.

Concertina: aerofone dotado de fole e palheta livre muito popular em Portugal. Instrumento da família do acordeão, nasceu no século XX.

Conga: membranofone muito utilizado no Caribe. É um tambor alto com sonoridade grave, de altura regulável. Pode ser tocada com os dedos e as mãos.

Contrabaixo: o maior dos cordofone de arco, muito utilizado na Música Clássica, em orquestras, e no Jazz, podendo ser tocado com ou sem arco. Entre os seus executantes mais célebres contam-se Charles Mingus e David Streicher.

Corne inglês: aerofone da família do oboé, de palheta dupla também. Embora seja maior e mais grave que o oboé, a dedilhação é igual.

Cravo: cordofone de tecla, teve o seu período áureo no Barroco. No século XVII, destronou a espineta, mas as dificuldades em apresentar uma capacidade sonora satisfatória acabariam por afastar o cravo em detrimento do piano.

Crescente turco: Trata-se de um idiofone feito de objectos (campaínhas, correntes) que chocalham juntos, obtendo-se assim um som mais forte.

Crótalos: Idiofone de metal, consiste em pares de pequenos címbalos de metal utilados muitas vezes para acompanhar a dança. É a variante metálica das castanholas.

Cuíca: instrumento de friccão, tradicional do Brasil muito usado no Carnaval. Aparentemente é um tambor, mas tem uma varinha encostada à pele, no interior. É a fricção da vara que produz o seu som inconfundível.

Cumbus: Membranofone clássico da Turquia, é um instrumento relativamente jovem, desenvolvido por Zeynel em Istambul por volta de 1900.

D
Daina: membranofone que, juntamente com a bhaya, constitui a tabla.

Damaroo: membranofone da Índia. No âmbito religioso, o som do Damaroo simboliza a criação e destruição, e é comum aparecer com Shiva em pinturas.

Darbuka: membranofone árabe.

Didgeridoo: aerofone aborígene da Austrália feito a partir de um tronco de árvore, podendo atingir 2 metros de comprimento. É uma espécie de trompa que exige muita força.

Dilruba: cordofone da Índia, é um instrumento clássico da música indiana, partilhando as origens do sarangi, mas nascido apenas no século XIX.

Dimba: xilofone nativo do Congo.

Dizi: flauta travessa chinesa.

Djembe: membranofone de origem africana, designadamente a Guiné, pertencente à família dos tambores de taça. Tem um corpo de madeira esculpido em forma de cálice, com esticadores a toda a volta.

Duff: tambor árabe em formato quadrangular que está na origem do adufe da Beira Baixa.

Dulcimer: cordofone norte-americano utilizado pelos índios dos Montes Apalaches, levado por europeus. As suas origens encontram-se provavelmente nas regiões que correspondem ao Irão e ao Iraque. É uma caixa de madeira achatada que pode ter até cem cordas.

Dung cheng: trompa do Tibete constituída por diversos elementos, podendo atingir 4 metros ou até mais.

Dutar: instrumento de corda originário da China, dotado de duas cordas e caixa de ressonância em forma de pera.

E
Ektara tenor: cordofone indiano, é constituído por uma caixa de ressonância redonda e um longo braço sobre o qual se pressionam as duas cordas obtendo diferentes sons.

Espineta: cordofone de teclado, é como que uma versão mais pequena do cravo. Foi muito importante no Período Barroco. Em França, tornou-se popular a partir do séc. XV.

Eufónio: do grego através do latim euphonium, é um aerofone de metal, aparentado à tuba, sendo também chamado bombardino.

F
Fagote: aerofone de madeira bastante grave que tem palheta dupla e um tubo cónico com cerca de 2,4 metros. James Mackintosh, Archie Camden e Simon Kovar são nomes de fagotistas célebres.

Fídula: palavra italiana que designa um cordofone antigo em registo grave. Aparece também com os nomes de fiddle, lyra, lira e geige (alemão). Juntamente com a rabeca era, na Idade Média, o instrumento mais popular.

Flauta de bisel: aerofone constituído por um tubo cilíndrico com diversos orifícios e um bocal com apito no qual se sopra directamente. Franz Brüggen e David Munrow são executantes internacioanlmente conhecidos.

Flauta de Pan: aerofone constituído por canas ou tubos cilíndricos de tamanhos diferentes. Os antigos gregos chamavam-lhe "syrinx". É um instrumento típico dos Andes e do Perú.

Flauta transversal: aerofone. Jean-Pierre Rampal e James Galway são nomes mundialmente reconhecidos como flautistas.

Flexatone: instrumento de percussão moderno feito de metal, com uma folha de metal fina e uma pega de arame grosso.

Fliscorne: aerofone de metal, provido de válvulas. É um instrumento semelhante à trompete, mas tem uma tubagem mais larga e produz sons mais aveludados e menos brilhantes.

G
Gaita de foles: aerofone dotado de fole, um saco para onde o tocador sopra. Com o braço, o ar é empurrado através de um tubo para as gaitas, produzindo o som. É muito utilizado nas regiões de influência celta, incluindo a Escócia, França, Espanha e Portugal.

Gamelan: conjunto indonésio de instrumentos de percussão como o Kendang, o saron e o bonang, gongos, xilofones, metalofones, címbalos e flautas.

Ghaita: aerofone de palheta dupla do Norte de África usado pelos encantadores de serpentes. Al ghaita ou al ghaida designa um instrumento semelhante ao surnay, uma espécie de oboé usado em dias festivos.

Gongo: idiofone originário da China, constituído por um disco metálico (cobre, bronze ou latão), suspenso por uma corda atada atada a dois pontos da orla. O som, que depende das dimensões do gongo, tem um efeito poderoso sobre o ouvinte.

Guitarra espanhola: também chamado "guitarra clássica", é um cordofone dedilhado, com seis cordas de nylon e caixa de cedro, castanheiro ou carvalho. Francesco Tarrega, Andrés Segovia, Julian Bream e Jimmie Hendrix são nomes sobejamente conhecidos entre estes guitarristas.

Guitarra Portuguesa: cordofone com seis cordas duplas de metal, tocado com uma espécia de unhas postiças.

Gumbri: cordofone árabe.

H
Harmónio: órgão de palhetas, "parente pobre" do órgão de tubos, é aerofone de tecla, dotado de fole e palhetas. Foi muito usado nas igrejas, designadamente em Portugal, nas celebrações litúrgicas, em substituição do órgão de tubos que é, por excelência, o instrumento da Igreja Católica no Ocidente.

Harmónio indiano: aerofone de tecla que não é originário da Índia mas se baseia no órgão de palhetas (harmónio) levado pelos europeus no século XIX.

Harpa: cordofone dedilhado. Sidonie Goossens e Marisa Robles são nomes internacionalmente conhecidos entre harpistas.

Harpa celta: cordofone dedilhado, verdadeiro símbolo da Irlanda, é uma pequena harpa de 24 a 34 cordas e cerca de 1,5 metros de altura.

Hsiao: aerofone tradicional da China.

Hsuan: aerofone chinês feito de argila, aparentado à ocarina.

Hu-ch'in: cordofone tradicional da China.

K
Kalangu: membranofone africano.

Kazoo: o kazoo ou mirlitão é um membranofone soprado, constituído por uma membrana que entronca na extremidade inferior de um pequeno tubo de metal ou de plástico.

Kinnor: cordofone que aparece referido várias vezes na Bíblia, sendo chamado harpa de David. É um instrumento de 10 cordas parecido com a lira.

Koka zvana - conjunto russo de sinos suspensos feitos de madeira.

Kora: cordofone africano do Senegal com caixa de cabaça e pele esticada, com braço de madeira, duas pegas e cordas de nylon dedilhadas.

Koto: cordofone dedilhado japonês de treze cordas dedilhadas e caixa na horizontal com cerca de 1,8 metros. Originário do Qin chinês, foi introduzido no Japão por músicos chineses e coreanos no séc. VII.

Ku: membranofone chinês.

Kuan-tzu: aerofone tradicional da China.

Ku-ch'in: cordofone tradicional chinês.

Kuvikli: flauta russa constituída por tubos de diferentes tamanhos, à semelhança da flauta de Pan.

L
Lira: cordofone dedilhado com formato bastante característico, dois braços verticais de madeira, ligados a uma caixa de ressonância, em baixo, e a uma travessa, em cima.

Lira africana: cordofone dedilhado, é um instrumento muito antigo e construído de modo bastante rudimentar.

M
Maraca: idiofone constituído por uma cabaça seca e oca, um coco ou outro material com sementes, muito usado para acompanhar música de dança na América Latina, designadamente.

Mbira: instrumento africano de carácter religioso constituído por cerca de 22 a 28 placas metálicas sobre uma pequena caixa de madeira, tocadas com os dedos do executante. Instrumento muito importante na África sub-saariana, é também conhecido por kalimba.

Melódica: aerofone de tecla criado pela empresa alemã Honner por volta de 1950. Outros fabricantes deram-lhe nomes diferentes como piano de bolso, melodião ou pianica. Augustus Pablo é um dos intérpretes mais famosos deste instrumento.

Mizmar: aerofone de palheta dupla dotado de sete orifícios, tradicional do Egipto e do Próximo Oriente.

Mongolo: cordofone que os russos chamam dômra e que tem uma caixa de ressonância arredondada, braço alongado e cordas metálicas, sendo usado plectro na sua execução. A dômra pode tocar a solo, em pequeno agrupamento instrumental e em orquestra.

N
Naqqara: tambor árabe que talvez esteja na origem dos timbales usados na Europa.

Nevel: cordofone referido várias vezes na Sagrada Escritura (Antigo Testamento) e que desapareceu. É citado pelo Livro dos Salmos (Salmo 92, 3), Isaías 5, 12 e Daniel 3, 5.

Nikkelen Nelis: conjunto de instrumentos de percussão constituído por tambores, címbalos e campainhas, no topo, tocado por um um homem-orquestra que acciona vários pedais, na base do instrumento.

O
Oboé: aerofone de madeira, de palheta dupla. A palavra deriva do francês "hautbois". Leon Goossens e Heinz Holliger são oboistas de renome internacional.

Ocarina: aerofone. A palavra, italiana, significa literalmente "pequeno ganso" . Trata-se de um instrumento de cerâmica da família das flautas globulares, geralmente ovais, com orifícios e embocadura.

Ocarinas arcaicas: aerofone arcaico do México. As ocarinas e os apitos de osso são instrumentos pré-históricos.

Orff (instrumental): lâminas, instrumentos de percussão de altura definida cujo nome está ligado ao compositor e pedagogo alemão Carl Orff.

Órgão de tubos: aerofone de teclado constituído por diferentes tubos, um ou mais teclados e pedaleira, fole, someiro, manúbrios e outros elementos que permitem a chegada do ar aos tubos e a obtenção de sonoridades pretendidas. É, por excelência, o instrumento da Igreja Católica.

Órgão de tubos antigo: aerofone de teclado, dotado de fole. A origem do instrumento é atribuída a Ctesíbio, engenheiro mecânico de Alexandria, no século III a. C.

P
Pandeireta: instrumento de percussão híbrido formado por uma pele sobre armação cilíndrica com fendas atravessadas por eixos e discos metálicos na ilherga.

Pandeiro arábico: membranofone constituído por uma membrana sobre armação circular pouco funda que produz pouca ressonância.

Pau-de-chuva: idiofone constituído por um tubo de plástico ou de madeira contendo grãos ou pequenas bolas que, ao cairem quando o tubo é colocado na vertical, imitam o som da chuva.

Piano de cauda: cordofone de teclado com maior capacidade sonora que o piano vertical. No século XIX, a armação de ferro fundido contribuiu para aumentar a tensão das cordas, produzindo-se um som mais cheio.

Piano digital: electrofone de tecla que imita sons de pianos acústicos sendo economicamente mais acessível.

Piano vertical: cordofone de tecla, cujas origens remontas se encontram no saltério. É constituído por um teclado, cordas com espessuras e comprimentos diversos, martelos que batem nas cordas, abafadores e pedais.

P'ip'a: espécie de alaúde chinês, é um cordofone dedilhado de 4 cordas de seda ou nylon e caixa de pauvlónia em forma de pera. É conhecida a sua existência há cerca de 2000 anos.

Pien-chung: conjunto chinês constituído por sinos de diferentes tamnahos.

Q
Quanum: cordofone árabe.

Qin: cítara chinesa que remonta a mil anos antes de Cristo.

Quissange: instrumento angolano constituído por pequenas barras de metal de diversos tamanhos, presas a uma base de madeira e tocadas pelos dedos polegares.

R
Rabeca: cordofone friccionado de arco semelhante ao violino e muito usado ainda em Cabo Verde. É a correspondente europeia do rebab islâmico.

Rabel: instrumento de corda friccionada muito frequente no Norte da Península Ibérica.

Rebâb: designação genérica de cordofones friccionados de arco antigos do Norte de África e do mundo islâmico. Tinha apenas duas cordas e um corpo pequeno em forma de pera.

Reco-reco: Idiofone tradicional com formas muito variadas, pertence à família dos idiofones de raspagem, dentro do grande grupo dos instrumentos de percussão. Uma vara de madeira mais fina raspa a parte que tem cordes ou saliências, produzindo-se um timbre muito característico. Há reco-recos de madeira, de metal e mistos.

Rombo: instrumento muito antigo, já presente na Idade da Pedra, constituído por uma lâmina de metal ou de madeira que produz uma sonoridade característica, conforme gira com maior ou menor velocidade sobre si própria.

S
Sanfona: cordofone originário da Idade Média. As suas cordas são calcadas por um disco giratório, e não friccionadas. Chegou a ser uma espécie de parente pobre do órgão de tubos, substituindo-o nas igrejas que não podiam ter órgão.

San-ksien: cordofone tradicional da China.

Sanshin: cordofone dedilhado do Japão, com 3 cordas, caixa forrada a pele e braço bastante alongado. Tornou-se muito popular no Japão no século XIX.

Santur: cordofone persa.

Sarangi: cordofone friccionado por um arco, muito utilizado na música clássica indiana, podendo tocar a solo ou acompanhar cantores.

Sarronca: membranofone tradicional e rudimentar, é constituído por um cântaro de barro que funciona como caixa de ressonância, uma pele que tapa a boca do vaso e um pau fino que trespassa a pele e, ao friccioná-la produz um som grave.

Saxofone: aerofone de palheta simples inventado por Adolph Sax. Charlie Parker, John Coltrane e Stan Getz são nomes famosos de saxofonistas.

Senza: família de instrumentos feitos de lâminas de metal. Este tipo de idiofones está espalhado um pouco por toda a África.

Serpentão: Datado do século XVI, o serpentão é um instrumento de sopro da família dos metais, com bocal e corpo longilíneo e serpenteado, (de onde lhe vem o nome).

Serouba: membranofone, conjunto de instrumentos de percussão que podemos encontrar na Áfica Central e Ocidental.

Shakuhachi: aerofone japonês, é flauta de bambu cujo tubo é aberto nas extremidades e mede cerca de 55 cm.

Sheng: aerofone chinês de boca, formado por 17 tubos (canas de bambú), remonta provavelmente a 3000 anos a. C. Era constituído por uma câmara de vento (à qual estavam ligados tubos de babú) para cujo interior o músico soprava. Foi introduzido na Europa em 1777 e terá influenciado a concertina.

Shô: órgão de boca japonês que resulta da introdução na corte japonesa, no século VIII, de uma espécie de sheng chinês.

Shofar: aerofone da antiguidade bíblica. A palavra hebraica significa "corno de carneiro". É um instrumento de sopro rudimentar. Na Bíblia, o instrumento aparece em várias ocasiões, designadamente nos episódios do sacrifício de Isaac ena batalha de Jericó.

Sitar: cordofone muito popular no Norte da Índia, pode ter de três a sete cordas e é acompanhado muitas vezes pelas tablas.

Skrabalas: idiofone de madeira que podemos encontrar na Rússia e na região do Báltico.

So-na: aerofone de palheta dupla, tradicional da China.

Sousafone: aerofone de metal que deve o seu nome ao norte-americano de ascendência lusa John Philipp de Sousa, célebre compositor de marchas.

Surdo: membranofone de grandes dimensões, é originário do Brasil e fundamental no samba. É um instrumento de metal ou de madeira e pele dupla. O seu som grave atravessa qualquer parede.

T
Tyba: cordofone do Vietname tocado com um plectro na mão direita que raspa as cordas para cima e para baixo rapidamente.

Tabla: membranofone duplo indiano, composto por um tambor cónico e outro cilíndrico. Ravi Shankar, executante deste instrumento, gravou um album em dueto com Yehudi Menuhin.

Ti: aerofone de madeira, tradicional da China.

Tímpanos: também chamados timbales, têm aproximadamente a forma hemisférica, feitos de cobre, com uma membrana no cimo da caixa. Afinam-se através de um pedal.

Tiorba: alaúde baixo, é um cordofone que surgiu na Idade Média e gozou, durante dois séculos, de grande popularidade na Europa.

Triângulo: idiofone de metal também chamado "ferrinhos", possui um som penetrante, sendo utilizado na música tradicional e na própria música erudita. Consiste num ferro em forma triangular, aberto, no qual se bate um pequeno ferro.

Trompa: aerofone de metal que possui um tubo cilíndrico ou cónico, com bocal e pistões. Denis Brain e Barry Tuckwell são nomes célebres de trompistas.

Trompa alpina: aeorofone rectilíneo tradicional dos Alpes suíços, com mais de um metro de comprimento, terminando numa campânula ligeiramente virada para cima. Já no século VI era conhecido na Suiça.

Trompete: aerofone de metal. Louis Amstrong, Miles Davies e Winton Marsalis contam-se entre os trompetistas famosos.

Tuba: aerofone de metal, dotado de um tubo largo e válvulas, é o maior e o mais grave da secção de metais da orquestra. Foi integrado na orquestra no século XIX, substituindo o oficleide.

U
Ud: também chamado barbat, é cordofone dedilhado originário do Norte de África, com braço curto e caixa de ressonância em forma de pêra, sendo as costas abauladas.

Uffataha: flauta africana.

V
Vibrafone: idiofone de altura definida, constituído por placas de metal de tamanhos diferentes, com tubos de ressonância e abafadores. Foi inventado por volta de 1915, a partir do xilofone que, como a palavra grega diz, é feito de madeira. Pode ser tocado por duas, três ou quatro baquetas.

Vihuela: Cordofone aparecido em Espanha por volta do século XIII, a vihuela foi um instrumento muito utilizado pelos trovadores.

Vina: cordofone indiano muito antigo com duas caixas de ressonância feitas de cabaça, tocado por um plectro de metal.

Viola da Gamba: antigo cordofone de arco, semelhante ao violoncelo e tocado entre os joelhos, na vertical.

Violeta: cordofone friccionado, também chamado viola ou viola de arco. Entre os executantes mais conecidos encontram-se Victor Lalo, Paul Hindemith, Yuri Brashmet.

Violino: cordofone friccionado, é o mais pequeno dos instrumentos de arco da orquestra e do quarteto de cordas. Niccolò Paganini, David Oistrakh, Yehudi Menuhin, Isaac Stern Anne-Sophie Mutter e Nigel Kennedy são alguns dos intérpretes mais conhecidos.

Violoncelo: cordofone de arco tocado entre os joelhos na vertical, é maior do que o violino e a viola de arco, embora tenha uma forma semelhante. Tem origem no século XVI, sendo o italiano Andrea Amati um dos primeiros construtores conhecidos, tendo feito em 1572 o "King Amati". Luigi Bocherini, Pablo Casals, Guilhermina Suggia, Jacqueline du Pré são intérpretes famosos deste instrumento.

Virginal: cordofone de tecla com origem no saltério, é conhecido em Inglaterra desde 1460. Os virginais eram instrumentos magnificamente decorados.

X
Xilofone: idiofone de altura definida que faz parte do instrumental Orff, constituído por uma série de pequenas tábuas de madeira de tamanhos diferentes.

Y
Yueh-ch'in: cordofone tradicional da China com caixa de ressonância redonda, de madeira e quatro cordas.

Z
Zambomba: tambor de fricção espanhol semelhante à sarronca, muito usado na época natalícia.

Zil: idiofone árabe constituído por pequenos pratos de cobre tocados por bailarinos designadamente.

Zummara: aerofone de palheta dupla de origem árabe, é uma espécie de pequeno clarinete duplo feito de bambú. É também conhecido por "mejwes".

Zurna: aerofone de palheta dupla assim chamado na Turquia, Irão e Curdistão, de características semelhantes ao "mizmar".

27/11/2004

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Os instrumentos de Percussão

São instrumentos basicamente rítmicos. O som é produzido por vibrações transversais numa membrana estendida sobre uma cavidade ressoante ou em corpos sólidos.

Podem ser divididos em dois grupos:
- os de som determinado – aqueles capazes de produzir alturas precisas (as notas musicais);
- os de som indeterminado – de altura indefinida, isto é, ruídos.

Entre os primeiros estão: tímpanos, carrilhão, xilofone, celesta, glockenspiel, marimba e vibrafone. No segundo grupo temos o triângulo, pratos, caixa, bombo e outros menos frequentemente usados na orquestra sinfônica, como o pandeiro, o tantã, as castanholas , o agogô, etc...

Tímpanos













Indispensáveis à orquestra, na qual foram introduzidos em 1670, pelo compositor francês Lully, os tímpanos tiveram a sua origem dos “naqqara” árabes, por volta do século XII.

Constituem-se de uma caixa de ressonância feita de madeira ou metal, de formato semi-esférico, com cerca de 60 cm de diâmetro e coberta por uma pele estendida sobre um arco. São percutidos por meio de baquetas, cuja extremidade, arredondada, é revestida de feltro.

Em geral, a orquestra possui de dois a quatro tímpanos, executados por um mesmo instrumentista. São afinados em quartas ou quintas.

Carrilhão











Conjunto de lâminas ou tubos dispostos numa armação e percutidos por uma espécie de martelo, o carrilhão aperfeiçoou-se e difundiu-se no século XVI. A extensão das notas varia muito, não chegando, no entanto, a alcançar mais de 2 oitavas. Possui sons diatônicos e cromáticos.

A percussão também pode ser feita por mecanismo de teclado, recebendo então o nome de celesta. Nesta, as teclas accionam martelos que percutem lâminas metálicas, produzindo um som límpido. Tem uma extensõa de 5 oitavas (dó1 a dó6).

Xilofone








Formado por lâminas de madeira de tamanhos variados, dispostas em fileiras horizontais, o seu alcance varia de modelo para modelo. Os maiores atingem 4 oitavas, a partir do dó médio. É percutido por meio de 2 baquetas, obtendo-se trinados, trêmulos, arpejos e repetição rápida de uma mesma nota.

Outras variantes do xilofone são o glockenspiel, o vibrafone e a marimba. O glockenspiel constitui-se de lâminas de aço dispostas em duas fileiras horizontais, percutidas por uma baqueta, denominada “maceta”. Tem uma extensão de duas oitavas e meia (sol3 a dó6 ou sol2 a dó5).

Derivado, provavelmente, do glockenspiel, o vibrafone surgiu por volta de 1920. Possui lâminas de aço vibradas por martelos também de metal. Sob cada lâmina, há um ressonador operado eletricamente, que amplia e confere maior nitidez ao som. Possui timbre doce e aveludado.

A marimba, de origem africana e desenvolvida na América Central, é um instrumento usado sobretudo pelas orquestras típicas populares de alguns países centro-africanos. Integra, por vezes, o aparato percussivo das orquestrações de alguns compositores contemporâneos. O timbre é um pouco mais grave que o do xilofone. Tem uma extensão de 4 oitavas, começando no dó abaixo do dó médio.

Triângulo








O menor dos instrumentos de orquestra, consiste numa vareta de ferro dobrada em formato de triângulo. É percutido com uma baqueta também de ferro. Os sons emitidos, sempre agudos, podem ser curtos e isolados ou formar uma cadeia semelhante à do trinado, provocada por batidas rápidas e sucessivas.

Conhecido na Europa no século XIV, só foi empregado na orquestra a partir do século XVIII, por Mozart.

Pratos


Derivados dos címbalos, discos metálicos usados no Egito Antigo, foram introduzidos na Europa durante a Idade Média. Medem cerca de 50 cm. de diâmetro e são percutidos com uma vareta ou chocados um contra o outro, podendo então produzir uma sonoridade que se sobrepõe a toda a orquestra.

Quando executados pelo mesmo instrumentista que toca os tímpanos, um dos pratos pode ser fixado a um suporte, fazendo-se que o outro caia sobre ele, por meio de um pedal. Os pratos foram introduzidos na orquestra sinfônica no século XVIII, por Gluck mas foi entre os românticos que o seu uso se popularizou.

Caixa

Assim como os tímpanos e o bombo, a caixa é um instrumento da família dos tambores. Surgiu no século XV, como um desenvolvimento do tamborim, muito utilizado nos regimentos medievais de infantaria.
De formato cilíndrico, feita de latão ou madeira, é revestida de pele de vitela, geralmente apertada por parafusos que regulam o som.
Pode ser de dois tamanhos:
- um maior e mais fundo, com sonoridade mais opaca;
- outro, menor, é circundado por cordas metálicas, que lhe dão sonoridade mais viva e brilhante.

Ambos são percutidos com uma ou duas baquetas de madeira ou com uma escova de arame, quando se quer obter efeitos especiais. Instrumento característicos das bandas militares, a caixa passou a integrar efectivamente a orquestra sinfônica, a partir do Romântismo.

Bombo

É formado por uma caixa circular de madeira ou folha de ferro, coberta na parte superior e inferior por uma pele esticada, apertada nas extremidades por parafusos de pressão.

Distingue-se da caixa pelo tamanho dado ser muito maior e por ser executado em posição horizontal. É percutido por uma baqueta denominada “maceta”. Característico das bandas militares, foi introduzido na orquestra sinfônica por Mozart, em meados do século XVIII.


Pandeireta

Originário do Oriente Médio, constitui-se de um arco de madeira, com ou sem guisos, tendo uma pele esticada na parte central. É agitado com uma das mãos ou percutido. Muito utilizado na música folclórica de alguns países. Também é chamado de “pandeireta”.


Tantã




De origem oriental, é formada por um disco metálico, geralmente de bronze, suspenso, que se faz vibrar, batendo-se com uma baqueta ou martelo, sobre as extremidades ou no centro. Produz som forte e de altura indefinida. Foi introduzido na orquestra sinfônica em fins do século XVIII. Sendo mais utilizado pelos compositores contemporâneos, geralmente em momento de clímax ou para sugerir desespero.

Castanholas


Também de origem oriental, provavelmente fenícia, as castanholas disseminaram-se por Espanha, transformando-se num instrumento típico deste país. Constitui-se de duas peças de madeira, marfim ou ébano, em formato de concha, unidas por uma fita ou cordão, que o instrumentista enrola entre os dedos.

O som é produzido, percutindo-se uma contra a outra. Comum nas orquestrações de compositores espanhóis.

26/11/2004

Evolução do piano - o piano vertical e o piano de cauda



O PIANO VERTICAL



Foi em 1800, nos Estados Unidos, que John Isaak Hawkins construiu pela primeira vez um piano vertical com as cordas paralelas, sistema de escape, sistema de controle da descida do martelo (atrape). Este tinha um mecanismo bastante avançado não fez sucesso por ter uma sonoridade muito desagradável.

O atrape ( do francês - attraper - segurar) - Este sistema impede que o martelo ao cair transmita impulso à tecla, o que seria sentido pelo executante.

Em 1807, William Southwell, de Londres, apareceu com um pequeno piano vertical em que as cordas eram montadas na diagonal mas colocadas totalmente para cima do teclado e não atrás deste, como era habitual. Tinha apenas uma extensão de voz de 6 oitavas, de Fá a Fá.

A popularidade do piano vertical na Europa disparou em 1826 quando um construtor de nome Wornum, desenvolveu um mecanismo que combinava precisão com durabilidade. Esse novo mecanismo permitia repetir a mesma nota com maior velocidade. Ignace Pleyel, de Paris, adoptou e aperfeiçoou esse mecanismo, que passou a chamar-se a ostentar o seu nome. O sucesso foi tão assinalável que se tornou extremamente difícil vender pianos de mesa na Europa.

O mecanismo Pleyel é actualmente usado em todos os pianos verticais, tendo sido introduzido apenas um melhoramento importante: no fim do séc. XIX os abafadores passaram a ser colocados abaixo dos martelos, o que os torna muito mais simples e eficazes. No entanto no início do séc. XX muitos fabricantes ainda colocavam os abafadores por cima dos martelos.

Na Alemanha o fabrico de pianos verticais começou a aumentar cerca de 1835.Estes pianos alemães do fim do séc. XIX eram maiores e muito mais pesados do que os pianos franceses e ingleses. Enquanto nestes dois últimos países se continuava a construir pianos com chassis de madeira os alemães, influenciados pelos americanos, já os construíam em ferro, com cordas cruzadas e com 3 cordas por cada nota.

Já atrás se referiu que o sistema de cordas cruzadas permite que, na mesma caixa, estas sejam mais compridas do que no antigo sistema de cordas verticais e paralelas. Esses pianos tinham mais e melhor sonoridade e robustez do que os seus contemporâneos. Tinham também uma sonoridade muito aperfeiçoada mas o toque (sensibilidade do teclado) era bastante inferior ao dos melhores pianos de mesa americanos. Apesar disso nessa época os pianos verticais alemães monopolizavam o mercado europeu.

No fim do Séc XIX os construtores americanos de pianos verticais usavam mecanismos mais complexos, mais caros e de toque menos agradável do que os alemães. A pouco e pouco todos eles copiaram o sistema mais vantajoso.

Apesar da notável evolução do piano vertical este continua a apresentar alguns problemas de difícil solução, tanto a nível mecânico como acústico. O facto dos martelos estarem em posição quase vertical dificulta a recuperação da posição de repouso. O movimento de retorno do martelo não se faz totalmente por acção da gravidade mas sim auxiliado pela acção de uma mola e de uma fita de tecido. Por outro lado o sistema de escape é um mal necessário. Como este também depende de uma mola, contribui para que o toque se torne menos agradável. A tecla, ao ser mais curta do que no piano de cauda, também tem menos flexibilidade, o que torna o toque menos dinâmico.

O sucesso do piano vertical deve-se à diminuição de dois factores importantíssimos, embora ambos com influência directa na qualidade: tamanho e preço. Em plena revolução industrial, a máquina a vapor abriu as portas à produção em grande série a custos mais reduzidos, permitindo fazer face à crescente procura.

Pleyel, juntamente com Sebastien Erard, beneficiou de um golpe de oportunidade. Os seus aperfeiçoamentos no mecanismo do piano vertical coincidiram com o início da construção de prédios de apartamentos. No início do séc. XIX a cidade de Paris estava de tal modo congestionada que a alternativa foi construir daquela forma, com pequenas divisões e com escadas onde dificilmente caberia um piano de cauda ou de mesa.

Quando a crise da falta de espaço começou a afectar outras cidades europeias os potenciais compradores de pianos verticais aumentaram de número e os construtores alemães e ingleses optaram por seguir as pisadas de Pleyel e de Erard.

Nos EUA só cerca de 1880 é que começam a crescer os primeiros prédios de apartamentos, o que justifica o atraso de popularidade do piano vertical.

O PIANO DE CAUDA

O formato em forma de asa ou cauda parece ter sido usado pela primeira vez em 1521 e tem sido sempre o formato preferido dos construtores preocupados em produzir instrumentos de teclas e cordas de alta qualidade, por ser capaz de produzir mais e melhor som que os outros formatos.

Este formato é o que usava nos cravos e pianofortes sendo o que permite um melhor relacionamento entre o executante e as cordas.

O facto de ser um sistema "tudo em linha" torna mais natural o funcionamento do mesmo, sem necessidade de recorrer a artifícios de menor eficácia. Ao contrário do que acontece no piano vertical, o teclado, os martelos, atrapes, abafadores e cordas trabalham num alinhamento perfeito, tudo na horizontal e sem necessidade de transferências de energia para outras direcções. Todos os retornos acontecem por força da gravidade, sem necessidade de quaisquer molas, excepto no caso do escape, que usa uma mola muito simples e que passa quase despercebida.

Tal como o cravo, também o piano de cauda teve que resistir aos "sofrimentos" infligidos por alguns inventores já tocados pelo espírito da "one man band" e dos actuais sintetizadores. Numa publicação de 1796 aparece a descrição de um piano construído pela fábrica Still Brothers da Boémia. Segundo essa descrição a dita máquina tinha formato de cauda, com cerca de um metro de altura e 2,5 metros de comprimento (enorme!), 230 cordas, 360 tubos e 105 efeitos tímbricos. Tinha também dois teclados e 25 pedais que serviam para controlar os efeitos sonoros. Esse instrumento pretendia imitar flautas de vários tipos, alaúdes, fagote, assobio, clarinete, corne inglês e outros. Dispunha ainda de triângulos, pratos, diversas peles, etc.

São conhecidas também as "pianolas" americanas do início do séc. XX, que funcionavam com um sistema mecânico de ar comprimido ou de manivela que fazia a leitura em rolos de papel perfurado e os pianos de teatro, com efeitos bizarros e que eram utilizados para acompanhar os filmes de cinema mudo.

Os músicos sérios rejeitaram estas e outras propostas, certamente interessantes pelo ponto de vista de inventor, mas menos relacionadas com a verdadeira expressão artística.

Para por em acção um conjunto de cordas de aço, compridas, grossas e muito tensas foi necessário aumentar a velocidade e a resistência dos mecanismos existentes. A grande intensidade de som dum piano de cauda depende da interacção entre o mecanismo e as cordas e entre as cordas e o tampo harmónico. O tampo harmónico do piano equivale ao tampo de uma guitarra ou violino, tem como função aproveitar o movimento da corda para ele próprio se movimentar pondo em movimento uma maior massa de ar do que a corda só por si, produzindo maior impacto no tímpano e no ouvido interno.

O piano de concerto de hoje pode-se considerar um modelo de perfeição tecnológica e acústica. Desde o final do séc. XIX que a pouco e pouco se foi libertando de todas as invenções menos felizes e se tornou numa reunião das melhores ideias dum grande número de mestres construtores. Actualmente a evolução tem sido mais na área da escola dos materiais de construção do que propriamente na evolução dos sistemas, já muito aperfeiçoados. Tem a caixa construída em contraplacado do tipo marítimo, isto é, com as lâminas todas da mesma espessura, sem nós ou uniões em cada placa e colado com cola à prova de água. A construção em contraplacado torna-se mais sólida do que em madeira do tipo "tábua".

Algumas peças do mecanismo podem ser de plástico, sem qualquer influência na qualidade do som. Usam-se também materiais modernos tais como os alumínios para os chassis do mecanismo, parafusos inoxidáveis, colas à prova de água, etc.

O chassis de um piano de concerto moderno suporta uma tensão vizinha das 30 toneladas.

O tamanho de um piano moderno de concerto ronda os 2.70 metros e tem 88 notas. A Ludwig Bosendorfer, de Viena, constrói um modelo com 97 teclas, 2.90 metros de comprimento e a módica quantia de 750 kilos. É o Bosendorfer Imperial, por muitos considerado o melhor piano do mundo.

Actualmente fabricam-se pianos de cauda com comprimento a partir de 1.50 metros. Para uma sonoridade cheia e interessante são necessários pelo menos 1.70 metros. Para se fazer ouvir numa grande orquestra usam-se os maiores modelos, com comprimentos que podem chegar aos 2.90 metros.

25/11/2004

Curiosidades sobre o piano e a sua evolução

A mais antiga referência que tenha algum relacionamento com o actual piano remonta ao ano de 2650 A.C.. O KE era um instrumento chinês de corda beliscada. Consistia num conjunto de cordas esticadas sobre uma caixa de ressonância em madeira com aproximadamente 170 cm de comprimento. Os primeiros "KE" tinham cerca de 50 cordas de seda e cada corda era constituída por 81 fios entrelaçados. Os chineses da época consideravam o KE um instrumento sofisticado capaz de proporcionar óptimas performances. É um instrumento que ainda se usa no folclore chinês.

Outra referência que tenha algum relacionamento com o actual piano remonta ao ano de 582 A. C. Nesse ano Pitágoras usa um pequeno instrumento de corda com o nome de MONOCÓRDIO. O monocórdio consistia numa caixa de madeira com apenas uma corda, presumivelmente feita de tripa de gato. Pressionando a corda em pontos diferentes e depois beliscando-a conseguia-se produzir sons de alturas diferentes.

O monocórdio foi divulgado principalmente através dos gregos e, mais tarde, dos romanos que o usavam também como instrumento de apoio aos coros das igrejas, apenas para dar a nota inicial.

Apesar de haver algumas dúvidas, há historiadores que defendem ter sido um aluno de Pitágoras que conseguiu quantificar devidamente o fenómeno da altura do som e aperfeiçoar o temperamento de intervalos iguais. Chama-se temperamento à correcta diferença de altura entre os 13 sons de uma oitava.

O temperamento de intervalos iguais esteve no esquecimento até Bach escrever os 24 prelúdios de " O Cravo Bem Temperado", em 1722. Essa obra foi a primeira a exigir de facto uma afinação desse tipo porque percorria todas as tonalidades em modo Maior e Menor. O sistema que prevalecia anteriormente era o temperamento de meios tons, que dava uma maior aproximação da afinação natural que o temperamento de intervalos iguais, para o tom de Dó Maior (por exemplo) e os outros tons relacionados de perto com ele, mas afastava-se de tal maneira dos tons afastados de Dó que se tornava praticamente impossível tocá-los visto que a sonoridade se tornava desagradável. Esse fenómeno obrigava a que para um espectáculo musical fosse quase obrigatório escolher repertório só de uma tonalidade: aquela para a qual a afinação estivesse prevista.

Cerca do ano 1000 em Itália começaram as primeiras experiências de adaptação de teclas a vários instrumentos musicais de sopro. Dessas experiências nasceram os primeiros ÓRGÃOS. Um órgão na sua versão "original" é um instrumento em que o ar comprimido por um sistema de foles passa através de tubos que irão produzir o som de cada nota. A função da tecla é simplesmente abrir a passagem de ar para o tubo que se pretende, tal como acontece, por exemplo no acordeão. Timbres diferentes são conseguidos usando bocais diferentes: com palheta livre (tipo acordeão ou harmónica), com diversos tipos de bisel, etc.

Rapidamente o numero de cordas foi sendo aumentado e durante os séculos XII e XIII muitas experiências foram feitas no sentido de se construir um instrumento de cordas com teclado que pudesse produzir correctamente todas as notas de uma escala. Essas experiências conduziram ao CLAVICYTHERIUM. Este era um instrumento muito rudimentar onde as cordas estavam dispostas num chassis de forma triangular e de estrutura muito simples. As cordas eram de tripa de gato e em cada tecla havia um tangente metálico que tocava na corda produzindo o som.

Aqui há divergências de opinião, visto que para alguns historiadores o CLAVICYTHERIUM seria o nome que os ingleses davam a um instrumento de cordas do tipo do cravo, mas com as cordas na vertical, embora, para outros, esse instrumento seja o VIRGINAL.

Outros defendem que o CLAVICYTHERIUM terá sido inventado em Itália cerca do ano 1300 e que terá sido copiado e aperfeiçoado por alemães. Esse aperfeiçoamento terá conduzido ao CLAVICÓRDIO.

Os primeiros CLAVICÓRDIOS foram construídos no séc. XV e tinham apenas 20 ou 22 cordas de latão, que eram postas a vibrar por um sistema tão simples como original, mas de qualquer forma muito pouco eficaz. Na ponta da tecla havia uma pequena lâmina metálica de nome tangente, montada em posição vertical. O movimento da tecla fazia a tangente encostar à corda.

Entre os séc. XV e XVIII o CLAVICÓRDIO passou por vários estádios experimentais que se traduziram numa interessante evolução. Em 1725, o alemão Daniel Faber construi um clavicórdio com uma corda para cada tecla e com uma fita de feltro entrelaçada na parte não vibrante das cordas para evitar vibrações desnecessárias e desagradáveis pelo que no início do Séc XVIII este reúne já 4 das mais importantes características do piano moderno: Tampo harmónico independente, cordas de metal, o modo de agitar a corda por percussão e finalmente os abafadores.

Os abafadores têm como função interromper a vibração das cordas quando se larga a tecla. Só nesta época este instrumento atingiu o estado " adulto", permitindo que o executante se exprimisse correctamente. Apesar de apresentar um volume de som muito fraco, o clavicórdio era capaz de produzir delicados gradientes de toque, permitindo executar crescendos e diminuendos como até então não tinha sido possível. Virtuosos como Johann Sebastian Bach e Emanuel Bach escrevem para este instrumento, tirando partido das possibilidades de vibrato que o mecanismo proporciona.

Bach, Mozart e Beethoven, chegaram a preferir o CLAVICÓRDIO ao mais potente CRAVO até que surgiu um novo instrumento que dava pelo nome de PIANOFORTE que soava "mais forte".

Cerca de 1503, Giovanni Spinetti, de Veneza, constrói um instrumento de forma alongada, com cordas compridas de latão e um grande tampo harmónico abrangendo a totalidade do espaço disponível, o que fazia aumentar o volume de som. Neste instrumento as cordas não eram agitadas por um tangente, mas sim postas em vibração por um plectro acoplado a um saltarelo. O plectro era feito de pena de pato e colocado na ponta do saltarelo de modo a beliscar a corda ao passar por ela. O saltarelo era uma peça de madeira fina e com cerca de 10 centímetros de comprimento, que ficava apoiada na extremidade da tecla e que acompanhava o movimento da mesma, Uma pequena peça de feltro acoplada na ponta do saltarelo fazia funções de abafador, impedindo a corda de continuar a vibrar após a tecla voltar à posição de repouso. Esse instrumento chamou-se ESPINETA.













Apesar do sistema de funcionamento da ESPINETA não permitir qualquer expressividade relacionada com o controle da intensidade, foi um instrumento que se tornou muito popular graças ao facto de produzir maior volume de som que o CLAVICÓRDIO.

As espinetas variam o seu tamanho entre 1 metro e 170 centímetros aproximadamente. As mais pequenas podiam ser colocadas directamente sobre uma mesa, o que aumentava ainda um pouco mais o volume sonoro.

A evolução da espineta terá dado origem ao CRAVO, instrumento com o mesmo tipo de mecanismo mas com mais e maiores cordas.A meio do séc. XVII foram construídos cravos com 2 teclados e 3 cordas por cada nota. Como forma de aumentar ainda mais o volume e o "corpo" do som, dois teclados podiam ser acoplados, isto é, quando se tocava num deles o outro movimentava-se fazendo soar também as suas cordas.

Estas evoluções ao longo do séc. XVII tornaram o CRAVO no instrumento preferido em detrimento da ESPINETA. Todavia essa vantagem não seria assim tão duradoura. Apesar de no Séc XVIII se terem experimentado plectros com a ponta forrada de cabedal macio, a sonoridade continuava a não ser totalmente satisfatória e a total ausência de controle de intensidade em tempo real ditaram o declínio do CRAVO, que viria a ser preterido para o PIANO E FORTE.

Não deve no entanto entender-se que no fim do Séc XVIII de repente toda gente passou a preferir o PIANO E FORTE. Há que ter em consideração que tanto o CLAVICÓRDIO como o CRAVO e até a ESPINETA eram instrumentos "adultos", que tinham atingido a "perfeição" após se terem conseguido livrar de alguns sistemas de mecanismo bizarros e das sonoridades menos satisfatórios. O próprio PIANO deve muito ás experiências que se fizeram em ambos os tipos de instrumentos, o CLAVICÓRDIO (de corda percutida) e a ESPINETA e o CRAVO (de corda beliscada), visto que ainda actualmente há elementos de ambos que nele coexistem. Salienta-se no entanto, que o piano, por ser de corda percutida, está mais próximo do CLAVICÓRDIO que do CRAVO.

O CRAVO, a ESPINETA e o CLAVICÓRDIO neste período "lutavam" para se fazer ouvir contra orquestras e salas cada vez maiores e com mais público.

Neste período começaram também a aparecer os instrumentos de tecla com mecan~ismo de martelo. Por exemplo, o Dulcimer que existia na época e que tinha capacidade de suportar a energia do martelo, instrumento muito simples, com uma estrutura muito resistente, suportando cordas metálicas de aço, pesadas e muito tensas.

No DULCIMER é o executante que segura os martelos nas mãos atacando as cordas directamente. Toca-se como se fosse um xilofone. Christoph Schroter, organista alemão, declarou que a ideia de um mecanismo com martelo lhe ocorreu depois de ouvir um enorme DULCIMER. Esse novo mecanismo era substancialmente diferente do sistema do cravo. Bartolomo Christofori, de Pádua, em 1707,apresentou um instrumento a que deu o nome de PIANO E FORTE. Esse instrumento foi exibido em 1711 e tinha uma caixa parecida com a do cravo, em forma de asa, mas muito mais resistente para que pudesse suportar as cordas de aço, pesadas e tensas. Permitia tocar desde o mais suave pianíssimo até ao fortíssimo, daí o nome que lhe foi atribuído.

A grande época do desenvolvimento do PIANO E FORTE aconteceu entre o meio do Séc XVIII e o fim do Séc XIX. Foi também nessa fase que se começou a reduzir o tamanho, tentando passar do formato do tipo asa ou cauda, para os formatos verticais ou de mesa. Em 1745 C. E. Friederici construiu o primeiro PIANO vertical e cerca de 1758 o primeiro PIANO de mesa.

Este novo tipo (o de mesa) tinha uma caixa rectangular parecida com a do clavicórdio e as cordas eram colocadas no sentido do maior comprimento, paralelas ao teclado.

Ao longo desse período o nome PIANO e FORTE evoluiu para PIANOFORTE e depois para PIANO.

Em 1775 já havia construtores de PIANOS na Alemanha, em Inglaterra, França e América.

24/11/2004

Instrumentos de Sopro de Metal

A família dos sopros de metais é constituída pelos quatro instrumentos que se seguem:


O trompete é o instrumento de sopro de metal com o som mais agudo. As trompetes têm usualmente três pistões que são pequenos êmbolos cilíndricos que se ligam ao tubo principal através de um tubo adicional que permitem tocar todas as notas da escala musical. Se os trompetes não tivessem estes pistões só poderiam tocar algumas notas.


A trompa de harmonia é um instrumento de sopro de metal. Tem um tubo muito estreito e longo que se fosse esticado teria mais de 4 metros. O trompista utiliza as duas mãos para tocar este instrumento: enquanto a mão esquerda toca nos pistões a mão direita é introduzida na campânula (zona por onde o som sai) para obter efeitos sonoros e segurar o instrumento. Tem um timbre muito "aveludado".


O trombone é um instrumento de sopro de metal. É constituído por dois tubos em forma de U, uns dos quais desliza dentro do outro, pelo que se denomina de trombone de vara. Este instrumento tem um timbre semelhante à trompete mas mais grave.


A tuba é o instrumento de sopro de metal mais grave. Podem ter pistões ou, em sua substituição, válvulas rotativas. Geralmente tem uma função de baixo na orquestra mas também pode realizar passagens a solo. A largura do tubo e o enorme bocal facilitam a obtenção de sons graves e privilegiam as passagens lentas com notas sustentadas.

23/11/2004

Instrumentos de Sopro de Madeira

O Flautim é o instrumento dos sopros mais pequeno e que toca as notas mais agudas. Pertence à família das madeiras porque quando foi inventado era de madeira. Mais tarde passou a ser feito em metal mas continua-se a dizer que a sua família é a das madeiras. Este instrumento tem chaves que tapam alguns orifícios e que permitem aumentar a extensão do instrumento (ou seja tocar mais notas).



A Flauta transversal é um instrumento dos sopros. É construído em metal mas pertence à família das madeiras porque quando foi inventado era de madeira. É constituída por três partes que encaixam formando um tubo cilíndrico com aproximadamente 67 cm de comprimento e 19 mm de diâmetro. É um instrumento muito ágil com uma sonoridade leve o que lhe permite executar trechos musicais muito rápidos e ornamentados.




O Oboé é um instrumento de sopro da família das madeiras de palheta dupla. Geralmente é feito duma madeira escura chamada ébano sendo talhado num tubo cónico com cerca de 57 cm de comprimento. Neste tubo, o executante aplica uma palheta, ou seja, duas canas que são moldadas, encostadas uma à outra e fixadas numa peça de metal chamado tudel. Este instrumento tem um som muito característico sendo usado pelos compositores para transmitir sentimentos e estados de espírito. É um instrumento que geralmente executa solos.



O Corn Inglês é um instrumento da família do oboé. É ligeiramente maior (cerca de 1 metro) e tem um som anasalado. Normalmente é seguro por um cordão à volta do pescoço. A parte de baixo deste instrumento, o pavilhão, é periforme. Tal como no oboé e no corn inglês, a sua palheta é dupla,mas é presa num tudel em ângulo enquanto que nos outros o tudel é direito.
É um instrumento transpositor em Fá.



O Clarinete é um instrumento de sopro da família das madeiras de palheta de batente simples. É constituído por cinco partes em madeira de ébano, que encaixam umas nas outras. Na parte de cima, chamada boquilha, aplica-se uma palheta simples. Este instrumento é conhecido por conseguir variações de dinâmica que vão desde o pianissímo até ao fortissímo conseguindo os clarinetistas atingir um elevado grau de virtuosismo. É um instrumento transpositor em si bemol.O nome mais correcto para este instrumento seria instrumento soprano mas normalmente é apenas chamado de clarinete.
Existem outros instrumentos da família dos clarinetes que abarcam todas a tessituras,por exemplo a requinta, a clarinete alto e o clarinete baixo. Têm sido utilizados por muitos compositores a partir do século XIX para explorar vários efeitos sonoros.

O Clarinete Baixo é um instrumento que também se encontra em si bemol, tal como o clarinete que é referido anteriormente. A diferença é que toca uma oitava abaixo, ou seja, tem um som mais grave. Ainda existe um clarinete com o som mais grave que se chama clarinete contrabaixo. Este emite sons duas oitavas abaixo do clarinete soprano em si bemol.



O Fagote é um instrumento dos sopros de madeira de palheta dupla. É um instrumento constituído por cinco partes que se unem em dois tubos em forma de U. O comprimento total dos dois tubos, caso o fagote fosse todo direito, seria de aproximadamente 2, 40 metros. A palheta dupla é aplicada num tubo metálico (o tudel) que é encaixado no topo do tubo de madeira. Tem um som grave e uma extensão que pode abranger quase 4 oitavas.




O Contrafagote é normalmente feito de madeira e metal, tendo o seu tubo o dobro do comprimento do do fagote (4,80 metros). Produz sons uma oitava abaixo do fagote sendo o instrumento mais grave da orquestra. Devido ao seu tamanho e peso assenta no chão através de um espigão. A sua sonoridade grave pode produzir sons impressionantes, lembrando por vezes um estranho zumbido, devido às vibrações lentas da sua palheta dupla.